Durante a última quinta-feira (03) e sexta-feira (04) foi realizado na sede do CRMV-MG o 1º Encontro em Medicina Veterinária Indigenista com o objetivo de demonstrar vivências nos diferentes aspectos de saúde única, através das práticas em saúde, meio ambiente e agricultura dentro de territórios indígenas. A iniciativa buscou possibilitar bases para a construção das Diretrizes Básicas de Atenção à Saúde Única em Territórios Indígenas de Minas Gerais, principalmente com foco na atuação do profissional em Medicina Veterinária.

Na abertura do ciclo de palestras o presidente do CRMV-MG, dr. Bruno Divino, salientou a importância da realização do primeiro encontro para debater sobre um tema de tamanha relevância, a necessidade de se discutir sobre a Saúde Única e o papel do Médico-Veterinário de conhecer os costumes e tradições das comunidades para o pleno exercício da Medicina Veterinária.

O evento aconteceu em formato híbrido (online e presencial), dentre as temáticas das palestras realizadas estavam: Articulações entre o Conselho Regional de Medicina Veterinária e a Secretária Especial de Saúde Indígena (Sesai); Atuação do Distrito Sanitário Indígena (DSEI) na promoção da Saúde Única; A relação entre povos indígenas mineiros e os animais não humanos; Raiva no Território Indígena Maxakali: a importância do trabalho interdisciplinar em saúde; A medicina veterinária na atuação e promoção da Agricultura Familiar e entre outras palestras. Foram realizadas também Mesas Redondas para discussão acerca do tema.

 

A apresentação da palestra ‘Raiva no Território Indígena Maxakali: a importância do trabalho interdisciplinar em saúde’ com o assistente social, Diego Ferraz, a médica-veterinária, Marla Oliveira e o indígena e professor, Marcinho Maxakali, levantou debate sobre os métodos para orientar a comunidade indígena sobre a doença da Raiva. No início do ano dois adolescentes de 12 anos e uma criança de 5 anos morreram vítimas da Raiva humana, eles eram indígenas da etnia Maxacali e viviam na reserva indígena de Pradinho, em Bertópolis, na Região do Vale do Mucuri. Os três casos confirmados da doença surgiram após 10 anos sem registros no estado.

No segundo dia do encontro foram elaborados os eixos temáticos para dar continuidade à construção das Diretrizes Básicas de Atenção à Saúde Única em Territórios Indígenas de Minas Gerais, dentre os quais: Produção animal sustentável; Ecologia dos saberes: O olhar do indígena para com os animais de sua comunidade; Saúde e manejo de animais silvestres na prevenção de doenças, agravos zoonóticos e doenças e agravos zoonóticos; Manejo e saúde de animais domésticos na promoção do bem-estar único e prevenção de conservação das espécies e Monitoramento socioambiental aplicado à saúde única.


Elaboração e apresentação dos eixos temáticos e discussão para as Diretrizes Básicas de Atenção à Saúde Única em Territórios Indígenas de Minas Gerais. Foto: Ascom/CRMV-MG

 

Para a médica-veterinária do Coletivo, Brunna Ferreira, o encontro possibilitou visibilidade aos povos originários brasileiros e o entendimento de demandas indígenas acerca da saúde humana, animal e ambiental, torna-se fundamental na garantia de práticas adequadas de saúde. A profissional mencionou também a contribuição que a Medicina Veterinária pode agregar à comunidade indígena; ‘’Médicos-veterinários podem contribuir em territórios indígenas em práticas de saúde, meio-ambiente e agricultura. O entendimento das demandas de povos originários é o ponto de partida para o melhoramento da saúde única considerando essas comunidades. Dessa forma, considerando culturas tão vastas, cabe ao médico-veterinário o entendimento de tal realidade, para que a garantia da sanidade dos animais, as orientações acerca de zoonoses, bem-estar animal, manejo populacional de animais e auxílio no desenvolvimento de políticas públicas sobre o tema sejam aplicadas de forma adequada’’, comentou.

O evento foi realizado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do estado de Minas Gerais (CRMV-MG), em conjunto com o Núcleo de Epidemiologia, Estatística e Saúde Pública (NEEST) da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (EV-UFMG), com apoio do Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC), do Comitê Mineiro de Apoio à Causa Indígena (CMACI), do Distrito Sanitário Especial Indígena - Minas Gerais e Espírito Santo (DSEI-MG/ES) e da Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais (CEDA) do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).


Assessoria de Comunicação do CRMV-MG