Frente à confirmação de um caso de raiva felina, na Regional Pampulha do município de Belo Horizonte, em 15/12/2021 (nota informativa anexa), a Comissão de Saúde Única e de Medicina Veterinária do Coletivo repassa informações importantes para a prática médico veterinária, especialmente a clínica e o trabalho de vigilância de doenças e agravos, com vista à segurança individual de animais domésticos e humanos, assim como à saúde coletiva.  Ainda durante o ano de 2021 foram identificados, até o presente momento, 24 morcegos positivos para raiva, distribuídos pelo município de Belo Horizonte. Os fatos acima demonstram a circulação do vírus rábico no município e indicam a necessidade de medidas de prevenção e controle com participação efetiva dos médicos veterinários clínicos, assim como dos tutores de animais de companhia (nota informativa Prefeitura PBH).

Considerando o exposto, reforçamos:

 

1.    Cuidados preventivos na manipulação de animais assim como realização da vacinação antirrábica animal anual de cães e gatos, principais fontes de infecção no meio urbano. Acidentes envolvendo morcegos (hematófagos e não hematófagos), raposas, gatos do mato, saguis, gambás e outros mamíferos silvestres (domesticados ou não domesticados) merecem grande atenção, pois são considerados sempre graves, com alto risco de transmissão da doença. Animais domésticos de interesse econômico, como bovinos, equinos, caprinos, ovinos e suínos também podem transmitir o vírus da raiva.

 

2.    Frente a quaisquer acidentes com os animais citados acima, seja mordedura, arranhadura e/ou lambedura, recomenda-se:

·         se possível, conter o animal  e mantê-lo isolado para observação, durante 10 dias;

·         lavar repetidamente o local afetado com água corrente e sabão;

·         procurar a unidade de saúde mais próxima e informar o ocorrido com o máximo de dados possíveis sobre as condições do acidente e sobre o animal;

·         quando indicado vacina ou soro e vacina, ou somente observação animal (cães e gatos), seguir rigorosamente a indicação médica;

·         se a ocorrência for em finais de semana e/ou feriados, procurar o Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE), localizado à Rua Paraíba, 890, Savassi, no horário de 8 às 12 horas e 14 às 18 horas. Após o atendimento inicial, as doses subsequentes programadas para os dias úteis serão administradas no Centro de Saúde de Referência do usuário.

 

3.    Diante da suspeita de um caso de raiva animal oriundo de Belo Horizonte, o médico veterinário responsável deve entrar em contato imediatamente com a Gerência Regional de Zoonoses - GERZO (dias úteis, 8h-17h) (Quadro 1). Considera-se animal (cão ou gato) suspeito para raiva “todo cão ou gato que apresente sintomatologia compatível com raiva; ou que venha a óbito por doenças com sinais neurológicos e por causas a esclarecer, com ou sem história de agressão por outro animal suspeito ou raivoso; ou cão ou gato agressor (que mordeu, lambeu  ou  arranhou  alguém/algum outro animal) e/ou que apresente  mudança  brusca  de  comportamento  e/ou  sinais compatíveis  com  a  raiva,  tais como  salivação  abundante,  dificuldade  para  engolir, mudança nos hábitos alimentares, paralisia das patas traseiras, ou outras manifestações clínicas neurológicas.1,2  Em caso de animal morto ou com sinais de raiva, previamente avaliado por médico veterinário, que necessite realizar o exame específico, deve ser levado ao Laboratório de Zoonoses da PBH, na Rua Édna Quintel nº 173, Bairro São Bernardo, de segunda a sexta feira, no horário de 8:00 às 17:00h para proceder ao exame.

 

 

 

GERZO Regional

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3277-7411/7413/7414

 

  1. Vacinação pré-exposição, conforme orientação do Guia de Vigilância em Saúde:

“A vacina é indicada para pessoas com risco de exposição permanente ao vírus da raiva, durante atividades ocupacionais, como:  Profissionais e auxiliares de laboratórios de virologia e anatomopatologia para a raiva; Profissionais que atuam na captura de quirópteros;  Médicos veterinários e outros profissionais que atuam constantemente sob risco de exposição ao vírus rábico (zootecnistas, agrônomos, biólogos, funcionários de zoológicos/parques ambientais, espeleólogos); Estudantes de medicina veterinária e estudantes que atuem em captura e manejo de mamíferos silvestres potencialmente transmissores da raiva;  Profissionais que atuam em área epidêmica para raiva canina de variantes 1 e 2, com registro de casos nos últimos cinco anos, na captura, contenção, manejo, coleta de amostras, vacinação de cães, que podem ser vítimas de ataques por cães...As vantagens da profilaxia pré-exposição são: Simplificar a terapia pós-exposição, eliminando a necessidade de imunização passiva com SAR ou IGHAR, e diminuir o número de doses da vacina. Desencadear resposta imune secundária mais rápida (booster), quando iniciada pós-exposição....Esquema Três doses. Dias de aplicação: 0, 7,28... Controle sorológico (titulação de anticorpos): a partir do 14º dia após a última dose do esquema...são considerados satisfatórios títulos de anticorpos >0,5 UI/mL. Em caso de título insatisfatório, isto é, <0,5 UI/mL, aplicar uma dose completa de reforço, pela via intramuscular, e reavaliar a partir do 14º dia após a aplicação; profissionais que realizam pré-exposição devem repetir a titulação de anticorpos com periodicidade de acordo com o risco a que estão expostos. Os que trabalham em situação de alto risco, como os que atuam em laboratórios de virologia e anatomopatologia para raiva, e os que trabalham com a captura de morcegos, devem realizar a titulação a cada seis meses; não está indicada a repetição da sorologia para profissionais que trabalham em situação de baixo risco como, por exemplo, veterinários que trabalham em área de raiva controlada e outros; o controle sorológico é exigência indispensável para a correta avaliação do esquema de pré-exposição”. (Guia VS, 2021 p.1003)

 

1Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Manual de Vigilância, Prevenção e Controle de Zoonoses: Normas Técnicas e Operacionais, 2016.

 

2Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: volume único [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. – 3a. Ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2019. 740 p.: il.

 

3Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da

Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. – 5. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2021. 1.126 p.: il. ISBN 978-65-5993-102-6  Modo de acesso: World Web: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_5ed.pdf