O importante não é só o acesso ao alimento, mas também à qualidade do produto final oferecido ao consumidor, é a mensagem do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação. O trabalho do médico-veterinário e do zootecnista é imprescindível para garantir a segurança do produto de origem animal e possibilitar maior acessibilidade à alimentação de qualidade.

A data dedicada à Alimentação foi implementada em 1981, com a criação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, sigla do inglês Food and Agriculture Organization). O intuito é de um apelo global pela erradicação da fome, por um mundo em que alimentos nutritivos estejam disponíveis e sejam acessíveis a todos, em qualquer lugar. O Brasil e todos os profissionais ligados à cadeia produtiva e ao agronegócio brasileiro têm um papel fundamental em alimentar a população mundial.

Dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que, em 2019, o Brasil exportou quase 7 bilhões de dólares de carne de frango, um aumento de 9% em relação ao ano anterior. A carne bovina in natura (fresca ou refrigerada e congelada) gerou em torno de 6,5 bilhões de dólares. E o produto de origem animal com maior crescimento nas exportações nesse período foi o leite fluido, com resultado total de 1,5 bilhão de dólares, 262% a mais do que em 2018.

Relatórios recentes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que a proteína animal (bovinos, suínos, frango, ovos, leite) teve crescimento médio da produção superior a 10% nos últimos cinco anos. O país é o quarto maior produtor de tilápia e de suínos do mundo. O país é o segundo maior produtor de carne de frango e bovina, enquanto na produção de leite e ovos consta entre os cinco maiores do mundo.

Médico-veterinário e zootecnista

Os dois profissionais possuem papel fundamental na segurança alimentar, já que atuam diretamente nos aspectos nutricionais e na alimentação de animais, sejam os de grande porte ou pets, contribuindo para o seu bem-estar.

O médico-veterinário, por exemplo, trabalha em todo o processo da cadeia produtiva, avaliando e controlando se a matéria-prima está adequada para o consumo humano. Ele trabalha de dentro da porteira até o alimento chegar à mesa do consumidor. Na agropecuária, eles podem atuar como consultores, responsáveis técnicos, docentes e peritos criminais, judiciais e administrativos, exercem também atividades em laboratórios para análise de solo, água e saneantes destinados ao uso domiciliar, realizam pesquisas em alimentos, participam da produção de vacinas e de medicamentos de uso animal.

O zootecnista também tem sua importância. Ele tem em sua formação uma ampla e diversificada diretriz curricular e um vasto campo de atuação, que vai muito além da nutrição animal, como zootecnia de precisão e bem-estar animal associado a melhoramento genético, com caminhos promissores e que irão trazer muitas novidades ao agronegócio.

A preservação da biodiversidade e de fontes de água e práticas sustentáveis voltadas ao produtor e ao consumidor também são outras ações que têm impacto direto sobre a alimentação e saude da população.

A Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Paraíba (CRMV-PB) e mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos, médica-veterinária Valéria Rocha Cavalvanti, alerta que “a população mundial tem cerca de 7,7 milhões de pessoas, dentre elas, 820 milhões são afetadas pela fome. Esse número tem crescido nos últimos anos e é um dado preocupante. Estima-se que, no ano de 2050, a população mundial seja de cerca de 9 milhões de pessoas”.

Para ela, o importante é pensar em estratégias que garantam um aumento da produtividade, para que todas as populações sejam beneficiadas com uma alimentação de qualidade e que esta seja produzida de forma sustentável.

“Vale salientar o valor de termos mais consciência de práticas alimentares de forma a entender o impacto que elas trazem não somente à saúde, mas ao planeta. Para isso, é imprescindível conhecer a origem dos alimentos e os processos de produção e os impactos ambientais desse alimenta”, aponta a presidente.

ONU enfatiza passos para alcançar Fome Zero na Semana Mundial da Alimentação

Nações Unidas promovem a partir desta quinta-feira a Semana Mundial da Alimentação realçando ações necessárias para retomar a meta global do Fome Zero.

A agência da ONU destaca este ano que a situação global é marcada por conflitos, eventos climáticos extremos e um aumento da obesidade que revertem o progresso no combate à fome e a desnutrição.

A celebração de 2020 ocorre em meio a situações como a pandemia, que expôs a fragilidade da distribuição mundial de alimentos.

Fonte: CFMV/CRMvs