No Dia Mundial da Raiva, celebrado neste sábado (28/9), o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) - vinculado à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) - reforça a importância da conscientização dos produtores rurais, chamando a atenção sobre os riscos da raiva animal para a saúde no campo. Caso exista suspeita da doença, é necessário comunicar ao IMA mais próximo da fazenda para auxiliar no acompanhamento das investigações e nas medidas sanitárias a serem tomadas pelos fiscais agropecuários. O produtor rural  pode buscar a unidade mais próxima de sua região por meio do endereço ima.mg.gov.br/enderecos. O objetivo é evitar o surgimento da enfermidade no estado para preservar a saúde do homem do campo, de seus animais e a qualidade dos produtos advindos da cadeia produtiva da carne e do leite.

O gerente de Defesa Sanitária Animal, o médico veterinário Guilherme Costa Negro Dias, explica que doenças como essa são combatidas porque causam grandes prejuízos ao agronegócio e, por serem zoonoses, são transmissíveis ao homem. “As zoonoses exigem uma imediata ação, devido ao risco para a saúde humana. Sendo assim, quanto menor o tempo de intervenção, maiores as chances de mitigar futuros prejuízos”, explica.

O produtor rural, ao suspeitar de sinais clínicos nos animais de produção - bovinos, bubalinos, equídeos, caprinos e ovinos – como andar cambaleante, deve imediatamente notificar o IMA. Os fiscais agropecuários comparecem na propriedade para investigar e coletar material para diagnóstico, realizado pelo Laboratório de Saúde Animal (LSA) do IMA. Além desse trabalho de investigação epidemiológica, os servidores fazem o controle populacional do morcego hematófago Desmodus rotundus, principal transmissor da doença, além de ações de educação sanitária que conscientizam a população rural em relação a esta grave enfermidade.

O produtor deve saber que a melhor forma de prevenir o rebanho contra a raiva é a vacinação.  “Em casos positivos para a raiva dos herbívoros, o IMA notifica às secretarias de Saúde, bem como esclarece às pessoas que tiveram contato com o animal doente para procurar atendimento médico e informar sobre o contato com animal positivo. Dessa forma, o IMA contribui de forma significativa para a saúde pública”, disse o médico veterinário.

Orientações

Guilherme Costa Negro Dias explica o trabalho dos fiscais agropecuários do IMA para conter esta doença.  Na propriedade rural, os fiscais agropecuários orientam os produtores com diversas informações. “Deve-se evitar manipulação dos animais sem os devidos cuidados preventivos, como o uso de equipamentos de proteção individual (EPI). É preciso também notificar o IMA sobre a possível presença de abrigos de morcegos hematófagos para providências. É importante salientar que é necessário evitar o contato direto com qualquer morcego, pois eles podem transmitir o vírus”, explica Dias, lembrando que a equipe de fiscais agropecuários da Defesa Sanitária Animal do IMA é altamente qualificada para atender os cidadãos e produtores rurais nas unidades distribuídas do instituto em todo o estado.

Vigilâncias

A coordenadora do Programa Nacional de Controle da Raiva em Herbívoros no IMA, a médica veterinária Daniela Bernardes, comenta sobre as formas de combate à doença no campo. “As investigações das suspeitas de síndromes neurológicas acontecem de duas formas: por vigilância passiva, quando os produtores comunicam ao IMA, e por vigilância ativa, quando o IMA realiza vistorias em áreas da ocorrência da doença”, explica Daniela Bernardes.

Nessas vigilâncias, podem ocorrer coletas de material do Sistema Nervoso Central (SNC) dos herbívoros para diagnóstico. O Laboratório de Saúde Animal do IMA (LSA-IMA) faz o diagnóstico da raiva e diferenciais. O atendimento é gratuito. Em 2019, ocorreram 213 suspeitas de síndromes neurológicas, dessas, 65 foram confirmadas positivas.

Daniela Bernardes esclarece que os veterinários da iniciativa privada também contribuem de forma significativa para a vigilância da doença, já que muitos atendimentos de animais com sinais clínicos neurológicos são feitos por eles. Neste ano, estes profissionais encaminharam para o (LSA-IMA), 115 amostras de SNC de animais de produção para o diagnóstico da raiva. A partir desse diagnóstico, ações de prevenção e controle são desenvolvidas pelo IMA.

A data

O dia 28 de setembro também marca a morte de Louis Pasteur, o químico e microbiologista francês que desenvolveu a primeira vacina contra a raiva.

Pensando na importância da raiva como uma grave zoonose, a Aliança Tripartite (OIE, OMS e FAO) e a Aliança Global para o Controle da Raiva (Garc) estabeleceram um Plano Estratégico Global, com o principal objetivo de ter zero mortes humanas por raiva até 2030 (“Zero em 30”). “Minas Gerais já registrou mortes de pessoas devido à raiva. Praticamente 100% dos casos de raiva humana podem ser evitados. Diante da importância dessa grave enfermidade e as implicações dessa na saúde pública, solicitamos que todos os envolvidos na cadeia produtiva mineira contribuam para o alcance desse objetivo: Zero em 30!”, reforça Daniela Bernardes.

Neste mês de setembro, o IMA realizou força-tarefa na região Sul de Minas, onde foram registrados 24 casos positivos para a raiva. Durante o trabalho, o IMA capturou cerca de 250 morcegos hematófagos, o principal transmissor da doença. Outra força-tarefa começou no dia 23 de setembro, na Zona da Mata mineira, divisa com o estado do Rio de Janeiro. Na Coordenadoria Regional do IMA em Juiz de Fora já foram registrados dez casos da doença e a previsão é que essa força-tarefa se estenda até a primeira quinzena de outubro. Até o momento, já foram capturados 30 morcegos hematófagos. Os servidores do IMA capturam os animais e os tratam com pasta vampiricida, com objetivo de controlar a colônia dos morcegos hematófagos, D. rotundus.