Esclarecimentos da médica veterinária e virologista dra. Érica Azevedo Costa | Atualização 20 de março de 2020

 

Até 20 de março, foi detectado o material genético do SARS-CoV-2, agente causador da doença COVID-19 em apenas dois animais de estimação. Um cão da raça Lulu da Pomerânia, de 17 anos de idade, e outro cão da raça Pastor Alemão, de idade não divulgada, ambos residiam em Hong Kong. Os respectivos tutores tinham sido diagnosticadas com o COVID-19. Um outro cão sem raça definida, que tinha contato com o pastor alemão, apresentou teste negativo. Os dois animais que apresentaram teste positivo não manifestaram nenhum sinal clínico de doença, nem mesmo sinal respiratório que poderia estar relacionado ao COVID-19. No primeiro caso, o cão apresentou resultado "fraco positivo", mas com baixos níveis do vírus, em amostras de cavidade nasal e oral, durante um período de tempo e no segundo caso, essa informação ainda não foi divulgada. Os especialistas NÃO acreditam que os animais estavam realmente infectados, mas provavelmente teria ocorrido uma contaminação das vias respiratórias do cão.

 

Não há evidências de que animais de estimação possam ser uma fonte de infecção para as pessoas. Por ser uma doença nova, com poucas informações disponíveis, o Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos EUA (CDC) recomendam a restrição do contato de pessoas doentes com animais de estimação, assim como faria com outras pessoas. Quando possível, peça a outro membro da sua família que cuide dos seus animais enquanto estiver doente. Se a pessoa precisar cuidar do seu animal de estimação ou ficar perto de animais enquanto estiver doente, a recomendação é lavar as mãos com água e sabão antes e depois de interagir com os animais e use uma máscara facial. Evite o contato próximo com seu animal de estimação, incluindo acariciar, ser beijado ou lambido e compartilhar alimentos.

 

Precisamos ter em mente que durante esse período de pandemia, temos que ter bom senso nas nossas decisões, uma vez que afetam todos ao nosso redor. No momento, a recomendação para as pessoas no Brasil é quarentena. Com isso, fica restrita a ida à bares, cabelereiros e todos os lugares que tenham aglomeração de pessoas. Da mesma maneira, todos esses cuidados devem ser tomados em relação ao nosso animal de estimação. Não existe nenhuma comprovação científica de que o pêlo dos animais possa ser fonte de contaminação para pessoas, mas racionalmente, da mesma maneira que devemos tomar cuidado para não contaminar superfícies inanimadas como metais, plásticos, papel, etc com as nossas mãos, ou não contaminar as nossas mãos, tossindo em cima, devemos ter para não contaminar o pêlo dos nossos animais. No momento, devido à quarentena, não devemos arriscar o nosso animal, levando-o à tosas e banhos. Não está no momento de continuar passeando com os nossos animais na rua. Caso seja essencial, procure ir em horários vazios, evite aglomeração de pessoas. Higienize as patas dos animais quando chegar em casa. Caso seu animal precise de consulta de rotina ou de emergência com um veterinário, marque por telefone um horário e compareça apenas na hora agendada para evitar aglomerações e/ou filas. A atual situação é dinâmica, amanhã podemos ter informações diferentes, com isso, é necessário a atualização constante dos acontecimentos.

 

Uma situação totalmente equivocada tem circulado nas redes sociais em que um homem apresenta uma caderneta de vacinação de seu cachorro com registro de vacina destinada à prevenção do coronavírus canino. O coronavírus da vacina é um coronavírus exclusivo de cães e já é conhecido há bastante tempo. Ele provoca nos cães um quadro gastrointestinal, principalmente com diarreia; às vezes, vômito. Embora pertença à mesma família de coronavírus, não tem relação com esse coronavírus novo que acomete humanos, não faz parte nem do mesmo gênero, nem espécie. As vacinas contra o coronavírus canino disponíveis destinam-se a proteger os cães contra a infecção entérica por coronavírus e NÃO são licenciadas para proteção contra infecções respiratórias. Os veterinários NÃO devem usar essas vacinas diante do surto atual, pensando que pode haver alguma forma de proteção cruzada contra o SARS-Cov-2.

 

Além disso, as vacinas contra coronavírus para cães NÃO foram desenvolvidas para humanos e NÃO devem ser aplicadas em humanos em hipótese alguma. Tomar uma vacina desenvolvida para cães podem causar reações alérgicas anafiláticas graves e colocar a saúde da pessoa em risco.