A carne de frango é a mais consumida no Brasil. Segundo dados do portal agropecuário Farmnews, considerando as três principais cadeias produtivas de carne no país, a produção dessas aves lidera com 46,4%. A carne bovina, por sua vez, corresponde a 38,8% e a suína a 14,8%.

Esse consumo abrange um mito: o uso de hormônios para o crescimento dos animais de produção. Entretanto, esse método não é utilizado no país, como explica a diretora executiva da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), dra. Marília Martha Ferreira. “Os hormônios na produção de frangos não fariam efeito. Esse método só é eficaz quando seu uso é feito de maneira injetável em cada um dos animais. Considerando que cada galpão de tamanho médio abriga no mínimo 30000 aves, o trabalho seria insano”.

A médica-veterinária explica ainda que o uso desse tipo de substância exige longos prazos para se obter um resultado. “O uso dos hormônios só faria efeito cerca de 70 dias após a aplicação, sendo que o frango vai para o abate aos 42 dias. Além disso, o custo do produto é muito alto para o produtor”, explica dra. Marília, afirmando que esse método também não é rentável.

Não é rentável e nem permitido. O uso de hormônios na produção de aves, incluindo outras espécies, como o peru, é proibido no Brasil desde 2004, por uma Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Essa medida alinhou o país aos ideais de produção da União Europeia e dos Estados Unidos neste sentido, considerando ainda que o Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo.

Mas o que explica a evolução do crescimento dos animais durante os anos? Melhoramento genético, envolvendo o trabalho de médicos-veterinários e zootecnistas, como comenta a diretora da Avimig. “Os animais são originários de uma seleção genética rigorosa e são alimentados com rações balanceadas com todos os requisitos nutricionais exigidos durante o seu crescimento. As aves são criadas em ambientes climatizados que atendem o bem-estar animal, sob rigoroso programa sanitário”, diz dra. Marília.

Atenção do consumidor

Mesmo com todas essas garantias, o consumidor deve ainda garantir a procedência do produto, verificando informações sobre sua produção em seu rótulo. “A embalagem da carne de frango deve trazer todas as informações necessárias. Se o produto tem fiscalização oficial do Serviço de Inspeção Federal do MAPA, do Instituto Mineiro de Agropecuária ou do Serviço de Inspeção Municipal”, alerta dra Marília, que evidencia ainda a necessidade de atenção para informações como a data de produção e a data de validade, além da procedência e dos índices nutricionais apresentados.

Sem preocupações sobre o uso de hormônios e com os devidos cuidados necessários, a carne de frango é saudável, nutritiva, recomendada para vários períodos durante a vida, além de ser de fácil preparo.