PROCEDIMENTOS DE BIOSSEGURIDADE MÍNIMA PARA A PREVENÇÃO DA PESTE SUÍNA CLÁSSICA NA ZONA LIVRE E DE MEDIDAS DE CONTROLE NA ZONA NÃO LIVRE

Como é de conhecimento geral, o Ceará está passando por um surto de Peste Suína Clássica (PSC), chegando a 18 focos, oficialmente notificados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

A PSC é uma doença viral que afeta suínos de todas as idades e considerada uma das principais enfermidades da suinocultura mundial, não havendo tratamento aos suínos acometidos, sendo a principal forma de preveni-la com a adoção de práticas de biosseguridade nas granjas.

Caracterizada por quadro hemorrágico generalizado, com elevada morbidade e mortalidade. É uma doença altamente transmissível, o vírus é eliminado do animal doente ou portador por todas as secreções e excreções, que se constituem nas principais formas de transmissão.

A disseminação se dá através de contato direto entre animais susceptíveis e doentes, por vetores mecânicos como pessoas, veículos, equipamentos, insetos e outras espécies de animais.

Qualquer cidadão que tenha conhecimento de suspeita da ocorrência da PSC ou de doenças com quadro clínico similar é obrigado a comunicar imediatamente o fato ao Serviço Veterinário Oficial (SVO). Até que se confirme o diagnóstico os animais não devem sair da propriedade.

O estado do Ceará está dentro da Zona Não-Livre (ZNL) de PSC, assim como os estados de AL, PE, PB, RN, PI, MA, PA, AP, AM e RR. O Brasil possui duas áreas distintas, reconhecidas pela OIE, sendo que a Zona Livre (ZL) de PSC é responsável por toda exportação de carne suína.

Por este motivo, alertamos a todos os envolvidos da cadeia suinícola em relação ao risco de disseminação do vírus, o qual pode atingir a ZL de PSC e comprometer, não só a produção, como também as exportações. Não houve notificação oficial sobre focos em outros estados do Nordeste, porém entendemos que todo e qualquer acesso de caminhões de suínos à ZNL neste momento representam risco de disseminação para a ZL.

O trânsito de animais vivos, com a saída de suínos do estado do CE, está proibido pelo MAPA. Porém, sabemos que o volume de entradas de suínos na ZNL, assim como o retorno dos caminhões para a ZL, continua ocorrendo. Além disso, há também o risco dos caminhões das agroindústrias de ZL que realizam a distribuição de carnes e de produtos cárneos na rede de varejo do CE, sendo uma grande preocupação esses veículos carrearem o vírus da PSC para as áreas livres.

Ressaltamos que, em caso de contaminação da ZL, certamente haverá investigação sobre esta ocorrência, e o país poderá perder o reconhecimento de ZL da OIE impactando negativamente toda a cadeia suinícola.

A eventual suspensão de exportações pode determinar uma queda do preço no mercado interno em até 40%, com uma redução anual de mais de 8 bilhões de reais na suinocultura brasileira.

Entendemos que é responsabilidade de todos os envolvidos na cadeia de produção evitar o trânsito para a ZNL, e adotar medidas de biosseguridade para mitigar riscos de introdução desse agente em outros estados.

ATENÇÃO AOS CAMINHÕES

Caso ocorra o trânsito na ZNL os veículos devem adotar procedimentos de lavagem, desinfecção e vazio sanitário antes de retornar à ZL, conforme descrito abaixo:

  • Fazer a lavação completa do veículo (incluindo a cabine) e desinfecção, ainda na ZNL, após descarregar;
  • Fazer vazio sanitário de pelo menos 24h antes de retornar à ZL;
  • As botas utilizadas pelos motoristas durante o descarregamento, devem ficar do lado de fora da cabine;
  • Orientar os motoristas para lavar as botas junto com a lavagem do caminhão, assim como, as roupas utilizadas;
  • Orientar os motoristas para não trazer alimentos de origem animal da ZNL para a ZL.

NA GRANJA

  • Antes dos caminhões ingressarem na granja ou encostarem no embarcadouro realizar checagem de limpeza. Caso não estejam devidamente limpos, devem retornar para realizar este procedimento fora da propriedade, além da desinfecção posterior;
  • Após a checagem e aprovação da limpeza, recomenda-se, se houver condições, realizar nova desinfecção da forma mais eficaz possível (arco de desinfecção, ou rodolúvio, ou atomizador, ou bomba de lavação, ou bomba costal e outros);
  • Ao carregar os animais (cevados, descartes e leitões) o funcionário que entra no caminhão deve usar roupa e calçados exclusivos para este serviço, e não voltar para a granja sem antes tomar banho e trocar de roupa na barreira sanitária. Esta roupa de carregamento deve ser lavada separadamente.

Observação importante: Recomenda-se o uso de desinfetantes viricidas, conforme orientado pelo Serviço Veterinário Oficial.

ENTRADA DE ANIMAIS

  • Aquisição de reprodutores (matrizes e cachaços) deve ser feita somente de granjas GRSC (Granjas de Reprodutores Suídeos Certificadas);
  • Adotar critério na aquisição de leitões e cevados para recria e terminação. Adquirir de granjas com status sanitário conhecido e acompanhado de GTA (Guia de Trânsito Animal);

ACESSO DE PESSOAS

  • É recomendável manter o vazio sanitário de outros sistemas de produção e locais onde haja presença de suínos (frigoríficos, criatórios, feiras e outros). Pessoas que tenham transitado pela ZNL, mesmo que sem contato com suínos, devem realizar vazio sanitário pelo maior período possível, mantendo o mínimo de pelo menos 24h.
  • Recomenda-se que o acesso à granja seja única e exclusivamente pela barreira sanitária (vestiário), com delimitação clara de área suja (externa) e área limpa (interna). Uniformes de trabalho, exclusivos da granja, devem ficar somente na área limpa e roupas externas na área suja. Especial atenção deve ser dada aos calçados. Os calçados usados fora da granja em hipótese alguma podem passar para a área limpa. Ao retornar para a área suja as roupas usadas dentro da granja devem ficar na área limpa, antes do chuveiro;
  • Utilizar o livro de visitas como forma de triagem para permitir ou não a entrada de terceiros. Visitantes que tiveram contato com outros suínos (granjas e abatedouros) no mesmo dia ou no dia anterior devem ser impedidas de entrar. Qualquer material ou equipamento que entra na granja deverá ser desinfetado ou passar pelo fumigador;
  • Os funcionários devem ser orientados e cobrados sobre as medidas de biossegurança. Se tiverem contato com outras granjas ou criatórios, devem realizar vazio sanitário de no mínimo 24h.

INSUMOS

  • Transporte de insumos de qualquer natureza deve ser realizado em caminhões exclusivos para este fim. Recomenda-se não transportar grãos em caminhões que transportem qualquer carga viva. ü Atenção especial deve ser dada a fonte de água das granjas, quanto a potabilidade e possibilidade de contaminação, a exemplo de águas de superfície. Lançando mão de cloração ou outros meios para eliminar eventuais contaminações.

OUTRAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO

  • Controle de pragas (roedores e insetos);
  • Barreiras físicas a entrada de outros animais (cães, gatos, animais silvestres e outros) no perímetro da granja, e de pássaros nos barracões. Buscando manter a manutenção das cercas nas propriedades rurais.

PESTE SUÍNA CLÁSSICA- CARACTERIZAÇÃO

FONTE: Citado por Maurício Dutra, texto original da OIE - Diseases of Swine 10th Edition (disponível em: http://www.oie.int/fileadmin/Home/eng/Animal_Health_in_the_World/docs/pdf/Disease_ cards/CLASSICAL_SWINE_FEVER.pdf)

PESTIVIRUS

  • RNA vírus / Família Flaviviridae;
  • Exclusivo dos suídeos (suínos e javalis);
  • Ação física e química:

SOBREVIVÊNCIA:

  • Baixas temperaturas / 37°C: 7-15 dias / 50°C: 3 dias;
  • Órgãos em decomposição: 3-4 dias / Sangue e osso: 15 dias;
  • Carne curada, salgada, defumada: > 180 dias;
  • Carne congelada: anos

FONTE DE INFECÇÃO (VÍRUS)

  • Sangue, secreções (oronasal, urina, fezes, sêmen) e tecidos de animais mortos e ou doentes, incluindo carne;
  • Leitões de fêmeas contaminadas: excretam o vírus (6-12 meses);

VIAS DE INFECÇÃO- ingestão, contato com mucosa, lesões de pele, transmissão genital (inseminação);

MEIOS DE TRANSMISSÃO

  • Contato direto entre animais;
  • Propagação por pessoas, roupas, utensílios, instrumentos, agulhas, veículos;
  • Utilização de restos de alimentos sem tratamento térmico na alimentação dos suínos;
  • Infecção transplacentária;
  • Aerossol: até 1,0 km (áreas de alta concentração suínos);
  • Suídeos selvagens (javalis);

SINAIS CLÍNICOS E LESÕES NA FORMA AGUDA DA PSC

  • Período de incubação: 2-14 dias

SINAIS CLÍNICOS E LESÕES

  • Forma crônica
  • Forma congênita
  • Forma branda (animais adultos)

DIAGNÓSTICO

  • Suspeita da doença: autoridades do Serviço Veterinário Oficial devem ser contatadas;
  • Identificação do agente
  • Provas Sorológicas